Por: Agro Marketing Mix Aberto em: setembro 29, 2017 Em: Agro Marketing Mix, Marketing Digital Comentários: 2
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O agronegócio, além da enorme importância na balança econômica de muitos países do mundo, carrega um duro fardo: precisa produzir muito mais e depressa! Estima-se que em 2050 (logo ali), seremos mais de 10 bilhões de famintos no mundo. E, para piorar, o agro tem que produzir tudo isso em um cenário cheio de desafios climáticos, água restrita, e sob os olhares de muita gente fiscalizando se a produção foi feita de maneira sustentável. Temos que produzir nos próximos 50 anos, o que produzimos nos últimos 10 mil anos somados!

Esse tema foi discutido no 1o Agrotech, um fórum promovido pela Startse, o maior ecossistema de startups do Brasil. Estavam presentes mais de 800 pessoas para refletir sobre a necessidade de inovação no agronegócio e em que ponto estamos.

Muito da inspiração do dia, veio do Vale do Silício, região americana de onde saíram as gigantes Apple, Google, Facebook, Uber, entre outras, berço de inovações que impactaram enormemente nossas vidas nos últimos anos. Lá, empresas novinhas, com menos de 5 anos de existência, já desafiam negócios seculares. Muito do que funcionava nos últimos 5 anos já não funciona mais.

Estima-se que 65% das crianças no ensino fundamental no mundo vão trabalhar em profissões que ainda não existem. Isso mesmo, 65%! Em contrapartida, nos EUA, onde o consumismo ferve, 2017 foi o primeiro ano em 50, em que nenhum novo shopping center foi aberto, pelo contrário, já se veem muitos shoppings abandonados e gigantes do varejo pedindo concordata. Muito do futuro está sendo desenhado ali e ele é muito diferente do que estávamos acostumados.

O Vale é lugar onde se pensa fora da caixa, local em que empresas como a Calico, financiada pelo Google, soam normais. A missão deles é tentar resolver a morte! Sim, eles encaram a morte como um problema técnico, capaz de ser resolvido como qualquer outro.

O sentimento mais evidente do evento foi angústia. Precisamos correr. Sem essa de fazer planos de médio e longo prazo e agir como se o cenário fosse estático daqui até lá. Um dos grandes motes da inovação é a experimentação rápida, ou seja, pode-se até planejar, mas não se pode ficar parado muito tempo planejando. Temos que ir experimentando e ajustando ao longo do caminho.

Não há quem duvide que o segmento no qual o Brasil é mais competitivo, é o agronegócio. Nenhum outro país também sabe produzir tão bem em clima tropical. Porém, esse é o segmento onde somos menos digitais. Então, trata-se de um terreno onde as oportunidades são imensas e podem ajudar esse gigante a produzir muito mais. Há muito por fazer!

Inovação

Foram apresentadas e citadas startups e empresas iniciantes que apresentaram propostas de valor muito bem definidas e relevantes, que já vem transformando a gestão e a tomada de decisão nas fazendas. Assistimos aos cases da Agrosmart (gestão de agricultura), Taranis (gestão de agricultura), Arpac (pulverização por drones), Horus (mapeamento por drones), Jetbov (gestão de pecuária), BovControl (gestão de pecuária), Agronow (monitoramento), Agropocket (agrônomo de bolso), Nagro (crédito sem intermediários), Alluagro (geolocação de máquinas), Truckpad (o Uber dos caminhoneiros), Agrishare (compartilhamento de recursos), Asolum (fábrica de plantas), Urban Farmers (fazendas urbanas), Bug (proteção biológica), e Strider (monitoramento de pragas). Muito bacana ver a evolução já alcançada por essas empresas e poder sonhar com o que vem por aí.

Um dos cases mais impactantes foi o da startup Hypercubes. Fundada por um brasileiro e incubada dentro da NASA, é a promessa de maior impacto e contribuição para a produção mundial de alimentos. Através de leitura hiperespectral de toda a superfície terrestre, onde cada pixel é quase como uma enciclopédia de informações, pretendem entregar uma “receita de bolo” para todas as fazendas do mundo, em todas as fases da lavoura. Por meio da leitura diária de uma constelação de 100 satélites, a tomada de decisão poderá ter real impacto na produtividade agrícola do mundo inteiro.

Grandes empresas puderam apresentar seu hub de inovação: a Raízen com o Pulse; AGCO e seu projeto Fazenda Conectada; a Basf e seu projeto Agrostart. Elas mostram que estão conectadas ao movimento de inovação.

Este foi o grande recado. Se sua empresa do agro não tem capacidade ou estrutura de inovação, procure fazer alianças com startups que podem resolver problemas comuns. Se deseja inovar, agora é a hora. Procure ideias que possam ser escaláveis e possam impactar o maior número de agentes do agro possíveis.

E não se esqueça, busque rápido algo que possa fazer o seu negócio renascer diferente. Antes que alguém o mate.

 

Artigo de Mariangela Albuquerque, Diretora da Agro Marketing Mix, atuando diretamente em estratégia de grandes empresas do agronegócio desde 1999. É publicitária pela ESPM-SP, pós graduada em Marketing Pleno pela Madia Marketing School, em Gestão de Negócios pela UFMT e MBA pela Fundação Dom Cabral.

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2 Comentários:

  • Excelente matéria! Inspiradora, inclusive! Tenho lido muito sobre o agronegocio, apesar de ter trabalhado a vida toda na indústria automobilística. Me interesso pelo agro, talvez pela vontade de contribuir com as experiências que tenho da carreira de executivo e ultramaratonista…. Enfim, empolguei com o seu texto e acabei escrevendo à você… rs Por decisão própria, hoje sou palestrante que explora metáforas da vida corporativa e profissional. Talvez não tenha relação com o seu tema, mas o seu assunto é fascinante, nemcessario e promissor . Parabéns novamente!!!!

    • Obrigado pelo retorno, Saulo.
      É um prazer encontrar pessoas tão inspiradas e empolgadas em compartilhar conhecimento!

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