10maio

Estatísticas do agro são escassas, mas estima-se que o setor DEPOIS DA PORTEIRA, que é o processamento de toda commodity produzida, sua distribuição e comercialização, seja responsável por cerca de 63% da fatia do PIB produzido pelo agro. Então, “simbora” passar essa porteira!

É no momento da industrialização da commodity que efetivamente se potencializa o ganho de valor, especialmente se embalamos e batizamos esse produto com uma marca.

Mas ao fazer isso, precisamos ter cuidado para não participar de uma segunda etapa de commoditização que acontece na gôndola. Vemos hoje, gôndolas recheadas de produtos muito parecidos, sem posicionamento e diferenciais claros. Bem, então o desenvolvimento deste produto deve levar em consideração a concorrência existente buscando se diferenciar dela e claro, seguir as tendências de consumo da população.

Segundo o Brasil Food Trends 2020, estudo realizado pelo ITAL (Instituto Tecnológico de Alimentos) e a FIESP, são 6 as tendências de consumo identificadas e em curso neste momento.

SENSORIALIDADE E PRAZER

Essa tendência já é realidade e mostra-se cada vez mais forte: as pessoas querem ser felizes, e o momento da refeição é algo muito especial pra grande maioria delas. Por isso, o segredo aqui é desenvolver um produto que tenha algo a mais, que dê prazer, que faça o cliente se sentir especial por consumi-lo.

Enquadram-se nessa grande tendência a grande presença dos produtos gourmets, a criação de produtos com grande diversidade de sabores, os itens exóticos, étnicos, com apelo emocional, que remetam ao tradicionalismo ou a regionalização, embalagens diferenciadas e sofisticadas.

Gelo de água mineral e manteiga premium, batida em pequenas quantidades, para preservar o sabor

SAUDABILIDADE E BEM-ESTAR

Ao mesmo tempo em que o consumidor quer sentir prazer, seu lado racional o leva a cuidar cada vez mais da saúde, para aumentar sua qualidade de vida e sua longevidade. Um grande percentual de pessoas está preocupado com isso.

Este pensamento abre espaço para uma gama incrível de possibilidades e variações de produtos: aqueles que prometem melhorar a saúde física e mental, que reduzem possibilidades de alergia, que isentam ou reduzem ingredientes comprovadamente maléficos, diets e lights, energéticos, alimentos cosméticos, e os minimamente processados.

Proteína de ervilha saborizada e suco da cereja do café, exemplos de produtos saudáveis com valor agregado.

CONVENIÊNCIA E PRATICIDADE

Se você pudesse vender tempo adicional para as pessoas, certamente ganharia muito dinheiro. Mas como não é possível, se você vende produtos e serviços que façam com que a pessoa ganhe tempo por conta da praticidade e comodidade, isso tem muito valor.

Entram aí as possibilidades dos produtos fáceis de preparar, fáceis de abrir, na quantidade certa, monodoses, alimentos para forno e micro-ondas, kits prontos para preparo, adequados para comer em trânsito, entre outros.

Mistura pronta para bolo integral, melhor ainda quando um produto junta duas tendências ou mais.

Ovos cozidos para lanche oferecem praticidade e saúde

QUALIDADE E CONFIABILIDADE

Diante de tanta informação, a confusão sobre o que comer e o que não comer é enorme. Sendo assim, o consumidor tem valorizado as informações corretas, a clareza e tudo aquilo que o ajuda a tomar decisões que considere corretas.

Nessa tendência, é crescente a valorização de produtos com selos ou informações de procedência,  rastreabilidade, selos de qualidade, de boas práticas de fabricação,  rótulos informações claras e de bom tamanho.

 

Carne com selo da Associação Brasileira de Angus.

SUSTENTABILIDADE E ÉTICA

A ética está na moda e produtos que demonstram claramente seguir essa linha, respeitando também a sociedade e o meio ambiente, são cada vez mais valorizados.

Selos de baixa “pegada” de carbono, produção fair trade, que respeitam o bem-estar animal e os biomas onde é realizada a produção, que são ligados a causas sociais e ambientais, com embalagens recicláveis ou recicladas têm cada vez mais apelo para o consumidor.

Chocolate com selo de fair trade, barra de cereais feita com proteína de farinha de grilo, mostrando novas possibilidades e champage Veuve Clicquot, com embalagem sustentável feita a partir de fécula de batata e papel.

Industrializar demanda altos investimentos e o retorno vai ser mais acelerado à medida que os produtos que sua empresa desenvolver tenham mais diferenciais e se destaquem diante das numerosas ofertas que confundem o consumidor.

Siga as tendências, desenvolva produtos inteligentes, eleja uma boa marca para batizá-los e atravesse a porteira com força, ganhando cada vez mais mercado, agregando e capturando valor para seu negócio.

 

Artigo de Mariangela Albuquerque, Diretora da Agro Marketing Mix, atuando diretamente em estratégia de grandes empresas do agronegócio desde 1999. É publicitária pela ESPM-SP, pós graduada em Marketing Pleno pela Madia Marketing School, em Gestão de Negócios pela UFMT e MBA pela Fundação Dom Cabral.

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